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Búzios: o charme de uma península que não tem pressa

  • Foto do escritor: Mario Nascimento
    Mario Nascimento
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A estrada de Búzios tem um momento exato em que tudo muda. Depois de cerca de duas horas e meia saindo do Rio de Janeiro, numa curva qualquer da RJ-106, o mar aparece do nada entre as árvores e o carro inteiro fica em silêncio por uns segundos. Não importa quantas vezes alguém já tenha feito esse trajeto — esse instante nunca perde a graça.

Búzios não precisa de apresentação para a maioria dos brasileiros, mas o que poucos sabem é que a península concentra mais de vinte praias diferentes, cada uma com uma personalidade própria. Tem praia para quem quer surfar, praia para quem quer mergulhar, praia para criança e praia para quem só quer um dia inteiro sem fazer absolutamente nada.


Quando ir

Alta temporada (dezembro a fevereiro) e feriados prolongados lotam a cidade — preços de hospedagem disparam e o trânsito na Rua das Pedras pode virar caminhada parada. Quem busca um Búzios mais tranquilo, com praias quase vazias e preço de baixa temporada, deve mirar entre abril e junho, ou setembro e outubro: o clima continua agradável na maior parte do ano por causa do microclima da região, conhecido por ser mais seco e ensolarado que o resto do estado do Rio.


Como chegar

De carro, saindo do Rio, são cerca de 170 km pela Via Lagos — vale reservar uma manhã inteira de viagem contando paradas. Para quem não dirige, existem ônibus executivos regulares saindo diretamente do Rio de Janeiro até o terminal rodoviário de Búzios, e também vans e transfers privados que costumam ser reservados com antecedência, principalmente em alta temporada.


As praias que valem a caminhada extra

Geribá é a mais democrática: cheia de quiosques, boa estrutura, ideal pra quem quer praticidade sem abrir mão de uma paisagem bonita. Ferradura, com águas mais calmas por estar protegida dentro da baía, é perfeita para famílias com crianças pequenas. João Fernandes e João Fernandinhos, lado a lado, têm um dos mares mais claros da região — vale alugar uma cadeira e ficar a manhã inteira. Já Praia Brava, mais isolada e batida pelas ondas, atrai surfistas e quem busca um pouco mais de sossego, já que o acesso exige uma caminhada mais longa que afasta boa parte do movimento.

Para quem tem disposição, vale reservar um dia inteiro para um passeio de escuna pelas praias mais isoladas, como a Praia do Forno e a Praia da Tartaruga — algumas só são acessíveis por mar ou por trilha, e ganham muito por isso.


Rua das Pedras: dia e noite são duas cidades diferentes

De dia, a Rua das Pedras é tranquila, ótima para passear pelas lojinhas e parar num café. À noite, vira completamente outra coisa: bares e restaurantes lotam as calçadas, música ao vivo toma os estabelecimentos e o passeio vira praticamente obrigatório, mesmo para quem só quer espiar. Vale reservar mesa com antecedência nos restaurantes mais procurados, principalmente em fins de semana e feriados — a fila sem reserva pode passar de uma hora.


A estátua e a Orla Bardot


Não tem como visitar Búzios sem passar pela estátua de Brigitte Bardot, na orla que leva o nome da atriz francesa — foi ela quem, nos anos 1960, colocou a cidade no mapa internacional depois de uma temporada por lá. A orla é um dos pontos mais bonitos para assistir ao pôr do sol, com o mar de um lado e os barcos de pesca ancorados na frente.


Dica de quem já errou o horário

Um erro comum de quem visita Búzios pela primeira vez é tentar conhecer várias praias num único dia, perdendo tempo no trânsito entre elas. A península é pequena, mas as estradas internas costumam ficar congestionadas em horário de pico de verão. O ideal é escolher no máximo duas praias próximas por dia e aproveitar com calma, em vez de correr de um lado para o outro — Búzios pede esse tipo de ritmo, e resistir a ele só atrapalha a viagem.


Vale o roteiro de três dias

Um roteiro enxuto de três dias já dá conta do essencial: o primeiro dia para Geribá e a noite na Rua das Pedras; o segundo para um passeio de escuna pelas praias mais isoladas; e o terceiro para Ferradura ou João Fernandes, terminando com o pôr do sol na Orla Bardot antes da volta para casa.

Búzios tem esse jeito de cidade pequena que insiste em parecer maior do que é — sempre sobra uma praia nova para a próxima visita, e é exatamente por isso que tanta gente volta.

 
 
 

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